Doença reumática que apresenta alteração do metabolismo proteico, sendo considerada crônica e progressiva, podendo causar sérias deformidades articulares e invalidez se não tratada corretamente. A gota acomete cerca de 50.000 pessoas no Brasil. Sua maior incidência são homens (95%), com idades entre 30 e 50 anos.
A gota é uma alteração metabólica das proteínas (purinas) que leva ao aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia). Este aumento na concentração de ácido úrico pode provocar a formação de minúsculos cristais de urato que se depositam nos tecidos, principalmente nas articulações. O depósito de cristais nos tecidos forma nódulos inflamatórios e dolorosos; nas articulações provoca episódios recorrentes de inflamação (artrite gotosa) e nos rins pode formar cálculos de ácido úrico.
Essa alteração metabólica pode ser considerada de causa primária (genética e hereditária) ou secundária, induzida por outras doenças, drogas ou medicamentos. A ingestão de bebida alcoólica em qualquer quantidade é uma causa comum de hiperuricemia, podendo causar a gota. A dieta rica em proteínas e gorduras também é responsável pelo aumento do ácido úrico no nosso organismo. Doenças como hipertensão, insuficiência renal, obesidade e hipotireoidismo estão relacionadas ao aumento do ácido úrico, assim como as drogas diuréticas e anticoagulantes orais.
O diagnóstico de gota é feito com base na história e sintomas relatados pelo paciente. Crises agudas geralmente iniciam durante a noite, com dor intensa, inchaço e vermelhidão de uma única articulação. Pode haver febre. O exame físico pode revelar a formação de tofos, que são formações nodulares de cristais urato, depositados em alguns tecidos como: borda da orelha, ponta do nariz e superfície das articulações, principalmente dos cotovelos, dos joelhos, das mãos e dos pés.
Os exames laboratoriais mostram elevação dos níveis de ácido úrico no sangue (> 7 mg/dl), mas sozinho não permite fazer o diagnóstico de gota. O diagnóstico direto e de certeza é feito através da visualização dos cristais de ácido úrico, através de um microscópio, no líquido de dentro da articulação (líquido sinovial). Porém, é preciso realizar uma punção articular para coletar uma amostra do líquido articular.
O exame de raio x serve para visualizar os efeitos da degeneração e o grau de acometimento da articulação inflamada.
Artrite gotosa é a inflamação aguda das articulações ocasionadas por depósito de cristais de ácido úrico nas paredes internas da cápsula e no líquido articular (líquido sinovial). Essa inflamação causa muita dor, inchaço e vermelhidão ao paciente gotoso.
Isto ocorre porque o sistema imunológico reage tentando destruir e absorver os cristais formados, mas, em contrapartida, também acaba lesionando e degenerando a cartilagem articular.
Normalmente acomete uma única articulação. Um dos locais mais afetados é a articulação do maior dedo do pé (dedão), a chamada podagra. O joelho e o tornozelo também são sítios frequentes. A gota pode causar também crises de bursites e tendinites caso haja inflamação das bursas e tendões ao redor das articulações. A maioria dos pacientes com gota vai experimentar repetidas crises de artrite ao longo dos anos.
O tratamento da gota envolve orientar a dieta, tratar as doenças associadas e normalizar os níveis de ácido úrico no sangue. A dieta consiste em diminuir a ingestão de carnes vermelhas, frutos do mar, miúdos, embutidos, além da abstinência alcoólica.
A ingestão aumentada de líquidos diminui o risco de crises agudas e previne a formação de cálculos renais de ácido úrico. É importante a redução do peso em pacientes obesos e o tratamento das doenças relacionadas (hipertensão, insuficiência renal, hipotireoidismo, etc.).
A redução dos níveis de ácido úrico é feita com fármacos específicos como o Alopurinol (Zyloric®, Uricemil®) e a Benzbromarona (Narcaricina®). Essa medicação não deve ser tomada durante a crise inflamatória aguda.
Na artrite gotosa, o tratamento da crise aguda de dor e inflamação é feito com compressas de gelo, medicação anti-inflamatória, analgésicos potentes e colchicina. O tratamento cirúrgico está indicado quando ocorre grande deformidade articular por degeneração e destruição óssea.
Deformidades graves e dolorosas impedem o paciente de realizar tarefas cotidianas como calçar calçados ou pegar objetos com as mãos. Em alguns casos pode ser indicada a amputação da porção atingida, principalmente se houver úlceras ou infecção dos tofos gotosos.
Resp. Técnico
Dr. Sandro Cabral Teixeira Lemos
CRM 30586
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